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Brasil tem 8,4 milhões de analfabetos, contingente maior que a população de 34 países participantes do Pisa

Taxa caiu para 4,9% em 2025, mas milhões de brasileiros com 15 anos ou mais ainda não sabem ler e escrever. Comparação internacional ajuda a dimensionar o desafio que permanece.

O Brasil reduziu o analfabetismo, mas ainda convive com um contingente de pessoas sem acesso ao domínio básico da leitura e da escrita que supera a população inteira de dezenas de países. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua — Educação, do IBGE, aproximadamente 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais eram analfabetos em 2025. A taxa foi de 4,9%, o equivalente a praticamente uma em cada 20 pessoas nessa faixa etária.
Para dimensionar esse número, o Canal ABC cruzou os participantes com resultados no Pisa 2025 com os dados de população de 2024 do Banco Mundial. O contingente brasileiro de analfabetos supera, individualmente, a população de 34 países membros da ONU que participaram da avaliação. Entre eles estão Singapura, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Irlanda, Nova Zelândia e Paraguai.
Singapura e Dinamarca tinham cerca de 6 milhões de habitantes cada. Finlândia e Noruega, aproximadamente 5,6 milhões cada. O Paraguai tinha 6,9 milhões. Em todos esses casos, a população total de um país é menor que o número de pessoas de 15 anos ou mais que ainda não sabem ler e escrever no Brasil. A comparação é individual: não se trata da soma das populações desses países.

O contraste revela a dimensão de um problema que diminuiu, mas permanece expressivo. Na série reponderada da pesquisa do IBGE, a taxa de analfabetismo caiu de 6,7% em 2016 para 4,9% em 2025, uma redução de 1,8 ponto percentual. O último resultado é o menor da série iniciada em 2016. O avanço, portanto, existe; o desafio é alcançar os milhões de pessoas que continuam sem essa habilidade básica.


Além de alfabetizar, o Brasil precisa melhorar a aprendizagem de quem frequenta a escola. É nesse ponto que entram os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A avaliação examina conhecimentos de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências.
No Pisa 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A trajetória histórica tem avanços e recuos. Em matemática, o país passou de 356 pontos em 2003 para 389 em 2012, mas chegou a 377 em 2025. Em leitura, registrou 403 pontos em 2003 e 408 em 2025. Em ciências, a série comparável começa em 2006, quando o Brasil marcou 390 pontos, diante de 409 em 2025.
Os dois levantamentos mostram dimensões diferentes da educação. O IBGE mede o analfabetismo na população de 15 anos ou mais; o Pisa avalia a aprendizagem de estudantes de uma idade específica. Juntos, ajudam a apresentar os desafios de garantir a leitura e a escrita básicas e de ampliar os conhecimentos desenvolvidos ao longo da vida escolar.

Como foi feita a comparação dos 34 países

Apuração própria: interseção entre os 91 participantes com resultados no Pisa 2025 e os dados de população total do Banco Mundial para 2024, indicador SP.POP.TOTL. Foram contados os países membros da ONU com população inferior a 8.400.000 habitantes. A expressão “países” não incorpora regiões ou cidades participantes. Hong Kong, Macau, Kosovo e a Autoridade Palestina não entram na contagem de países membros da ONU. O critério não pretende esgotar todas as economias e jurisdições do Pisa com população inferior ao contingente brasileiro.

Os 34 países são: Albânia, Armênia, Brunei, Bulgária, Chipre, Costa Rica, Croácia, Dinamarca, El Salvador, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Finlândia, Geórgia, Irlanda, Islândia, Letônia, Líbano, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Malta, Maurício, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Noruega, Nova Zelândia, Paraguai, Catar, Quirguistão, Sérvia, Singapura e Uruguai.

As referências temporais são diferentes e estão identificadas: analfabetismo de 2025 e população internacional de 2024. O total de 8,4 milhões é uma estimativa arredondada de pesquisa, não uma contagem exata em tempo real. Nenhum dos 34 países está próximo o suficiente do limite para que o arredondamento de 8,4 milhões altere essa seleção. A analogia compara tamanhos populacionais e não mede a qualidade educacional dos países.

As diferenças entre pontuações do Pisa são aritméticas; não equivalem automaticamente a mudanças estatisticamente significativas. Posições no ranking precisam considerar o número de participantes de cada edição e a incerteza amostral. A comparação não demonstra, isoladamente, causas ou responsabilidade de um governo específico.

Fontes

 

 

Av. Pereira Barreto, 1.286,
Santo André – SP

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