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ABC sai das urnas com prefeitos fortalecidos, aliados sob pressão e o olhar em 2028

 

Gilvan e Tite encontram respaldo nas vitórias de Flávio em suas cidades; vantagem de Lula em São Bernardo desafia o campo de Marcelo Lima, enquanto Marcelo Oliveira reforça o papel de Mauá como referência petista.

A eleição presidencial terminou, mas a disputa por interpretar seus resultados começa agora no Grande ABC. Além da vitória nacional de Lula (PT), o segundo turno deixou argumentos para prefeitos, oportunidades para adversários e sinais que poderão influenciar a formação das alianças municipais de 2028.

Nos registros analisados, Lula venceu em cinco das sete cidades da região. Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente em Santo André e São Caetano do Sul, municípios cujos prefeitos participaram da mobilização em seu favor.

O mapa, porém, exige uma leitura que vá além da contagem de cidades. São Bernardo do Campo, maior colégio eleitoral regional na tabela utilizada, deu a Lula uma vantagem expressiva mesmo sendo administrada por Marcelo Lima, presidente estadual do Podemos — partido que apoiou oficialmente Flávio no segundo turno. 

Em Mauá, o prefeito Marcelo Oliveira viu o candidato de seu partido vencer e ganhou um resultado politicamente favorável à sua posição como principal referência do PT entre os governos municipais da região.

São Bernardo impõe um revés ao campo de Marcelo Lima

Lula recebeu 55,37% dos votos válidos em São Bernardo, contra 44,63% de Flávio. A diferença de 10,74 pontos percentuais tem peso pelo tamanho eleitoral da cidade e por seu significado na história política do presidente.

O resultado também cria um incômodo para o campo partidário do prefeito. Marcelo Lima não é apenas filiado ao Podemos: ocupa a presidência estadual da legenda. O apoio nacional do partido a Flávio torna a vitória de Lula um revés local para a candidatura defendida pela sigla. Durante a campanha, Marcelo foi representado por seu secretário de Segurança em um encontro regional de apoio ao candidato do PL. 

Isso permite uma cobrança política: a presença do Podemos no comando da prefeitura não se traduziu em maioria para seu candidato presidencial.

Seria excessivo, entretanto, transformar esse resultado automaticamente em rejeição à administração municipal. A votação para presidente também envolve identificação partidária, trajetória dos candidatos e preferências nacionais que podem conviver com o apoio a um prefeito de outro campo.

Ainda assim, a vantagem petista oferece um argumento à oposição para 2028: existe na cidade um eleitorado majoritário que escolheu Lula, apesar do alinhamento partidário da prefeitura. Converter esse contingente em apoio a uma candidatura municipal será outro desafio, que dependerá de nomes, propostas, alianças e avaliação da gestão.

Gilvan ganha grande respaldo em Santo André pois cidade é historicamente petista

Em Santo André, Flávio venceu com 50,29%, contra 49,71% de Lula. A margem foi estreita, de 0,58 ponto percentual, mas colocou a cidade entre as duas únicas do Grande ABC em que o candidato do PL ficou à frente.

O prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania) assumiu publicamente o apoio a Flávio e participou da articulação regional em favor da candidatura. Sua movimentação incluiu a aproximação com prefeitos e lideranças dentro da mobilização conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). 

O trabalho político de Gilvan merece destaque por essa participação pública na organização do apoio. A vitória municipal oferece respaldo à posição que adotou e um argumento para ampliar seu espaço entre as lideranças desse campo no ABC.

Para o debate de 2028, o prefeito poderá apresentar Santo André como uma cidade em que o candidato por ele defendido venceu, mesmo diante do avanço nacional de Lula.

Tite encontra em São Caetano seu principal argumento

São Caetano registrou a maior votação proporcional de Flávio no Grande ABC: 58,33%, contra 41,67% de Lula. A vantagem de 16,66 pontos percentuais oferece ao prefeito Tite Campanella (Republicanos) um saldo político favorável ao apoio declarado durante a campanha. 

Entre os prefeitos que defenderam Flávio, Tite pode apontar o resultado municipal mais amplo em termos percentuais. Esse desempenho lhe dá um argumento nas conversas sobre alianças e organização do campo conservador na cidade.

A votação presidencial, porém, não define antecipadamente a disputa municipal nem elimina diferenças entre grupos que apoiaram o mesmo candidato nacional.

Marcelo Oliveira prova que tem respeito na cidade e reforça Mauá como referência do PT

Em Mauá, Lula venceu com 54,69%, contra 45,31% de Flávio, uma vantagem de 9,38 pontos percentuais.

O resultado dá respaldo eleitoral ao alinhamento de Marcelo Oliveira com seu partido. Único prefeito petista do Grande ABC e da Região Metropolitana de São Paulo, ele ocupa uma posição especialmente relevante para uma legenda que perdeu espaço nas administrações municipais da região. 

Politicamente, Marcelo sai com um argumento consistente: Mauá manteve a maioria presidencial ao lado do PT. O resultado reforça o município como referência partidária e fortalece sua posição nas discussões sobre a organização regional da sigla.

Esse saldo ganha importância para 2028, quando estará em discussão a continuidade do grupo que administra a cidade. A maioria obtida por Lula oferece uma base de diálogo, mas a construção de uma candidatura municipal competitiva dependerá também da avaliação do governo e da capacidade de reunir aliados.

O mérito político que o resultado permite reconhecer é a coerência entre o posicionamento do prefeito e a escolha majoritária do município. A contribuição exata de sua atuação para a votação não pode ser isolada pelos totais.

Em Ribeirão Pires Guto Volpi se enfraquece e deixa um alerta ao PL

Em Ribeirão Pires, Guto Volpi se enfraquece e deixa um alerta ao PL 

Em Ribeirão Pires, Lula venceu por 50,07% a 49,93%. A diferença de apenas 0,14 ponto percentual torna o resultado apertado, mas simbolicamente relevante: o candidato do PL perdeu em uma cidade administrada por Guto Volpi, do mesmo partido.

Volpi declarou apoio a Flávio e anunciou mobilização local para o segundo turno. A vitória petista mostra que esse alinhamento não foi suficiente para garantir a liderança presidencial no município. 

Para a oposição, surge um argumento a ser explorado nas próximas articulações. Para o governo municipal, fica o desafio de demonstrar que o resultado nacional não representa a correlação de forças da eleição para prefeito.

Taka tem o pior resultado no embate regional de apoio ao Bolsonaro 

Diadema deu a Lula sua maior votação proporcional na região: 61,04%, contra 38,96% de Flávio. O resultado ocorreu apesar do apoio do prefeito Taka Yamauchi (MDB) ao candidato do PL. 

A diferença de 22,08 pontos percentuais oferece ao campo petista um argumento relevante para sua reorganização municipal. Também demonstra que a conquista da prefeitura por outro partido não significou o desaparecimento da preferência presidencial por Lula.

Rio Grande da Serra 

Em Rio Grande da Serra, administrada por Akira Auriani (PSB), Lula recebeu 58,01%, contra 41,99% de Flávio, completando as cinco vitórias municipais do petista.

 

 

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Santo André – SP

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