Indicadores monitorados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontam uma redução nos níveis de poluição orgânica nos rios Pinheiros e Tietê. De acordo com o relatório estatístico apresentado pelo governo estadual nesta semana, o Rio Pinheiros registrou redução de até 55% na presença de compostos poluentes em sua calha principal entre os anos de 2024 e 2026. No mesmo período, o fluxo de poluentes transportados pelo Rio Tietê encolheu 21%.
No Rio Pinheiros, a queda na concentração de matéria orgânica foi identificada de forma descentralizada. O ponto de medição na Barragem de Pedreira teve recuo de 55%, seguido pela Ponte do Socorro (26%) e pela Usina São Paulo (26%). Quanto aos córregos afluentes que desaguam no Pinheiros, dois em cada três monitorados apresentaram melhora na qualidade da água, com decréscimos de carga poluente superiores a 40% em locais historicamente afetados.
Já na calha do Rio Tietê, a variação representa a retirada de 46 toneladas diárias de carga poluente do curso d’água, cujo fluxo caiu de 219 toneladas por dia em 2024 para 173 toneladas diárias em 2026. Conforme a Cetesb, sete em cada dez quilômetros quadrados da área de abrangência dos 30 afluentes monitorados demonstraram evolução positiva na redução de Carga Orgânica Total (COT).
Expansão de rede e dinâmica de investimentos
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística vinculou a retração dos índices de poluição à incorporação de 3 milhões de novas economias domésticas às redes coletoras e de tratamento de esgoto no estado. O volume de recursos financeiros direcionados à infraestrutura de saneamento na Região Metropolitana apresentou alta de 120% em base anual, passando de R$ 6,9 bilhões em 2024 para R$ 15,2 bilhões consolidados em 2025, ciclo subsequente à desestatização da Sabesp.
Segundo a titular da pasta, Natália Resende, os aportes globais destinados especificamente às bacias do Pinheiros e do Tietê superam a marca de R$ 23 bilhões. As intervenções do programa Integra Tietê envolvem atualmente a execução de 42 frentes de obras lineares na Grande São Paulo, que compreendem assentamento de tubulações estruturais, implantação de estações elevatórias de bombeamento e redimensionamento de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
Monitoramento tecnológico e urbanização
Paralelamente aos dados de balanço, o Poder Executivo estadual anunciou novas diretrizes operacionais para o programa de despoluição. O plano de metas inclui o início do monitoramento sistemático por satélite da calha do Tietê e de oito praias fluviais no interior do estado, além do emprego de dispositivos ultrassônicos e algoritmos de inteligência artificial voltados ao controle de proliferação de microalgas.
Na calha do Pinheiros, a estimativa do Estado é elevar em 20% a capacidade instalada de recolhimento de resíduos sólidos flutuantes. O governador Tarcísio de Freitas formalizou, ainda, o repasse de R$ 24 milhões em verbas públicas para melhorias urbanísticas na orla do rio, com intervenções focadas em pavimentação, sinalização viária, implantação de grades de proteção, iluminação pública e projetos de arborização ao longo do eixo que abrange a ciclovia e o Parque Bruno Covas.








