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Balanço aponta as principais mudanças no saneamento de São Paulo após desestatização da Sabesp

Com investimento de R$ 15,2 bilhões em 2025, companhia foca na antecipação das metas de universalização para 2029 e amplia o alcance da Tarifa Social.

O processo de desestatização da Sabesp, conduzido pelo Governo do Estado de São Paulo em 2024, completou um novo ciclo regulatório com alterações estruturais na execução das obras e na política tarifária de saneamento básico. O modelo atual, desenhado para acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto, elevou para 1,2 mil o número de frentes de trabalho simultâneas no estado. A meta contratual é atingir, até 2029, o atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de resíduos, antecipando em quatro anos o prazo nacional do Marco Legal do Saneamento.

No campo financeiro, o contrato de concessão estipula aportes que somam R$ 260 bilhões até o ano de 2060. Para o período que compreende o plano de universalização (até 2029), estão previstos R$ 70 bilhões. Em 2025, o investimento consolidado em infraestrutura de saneamento foi de R$ 15,2 bilhões. De acordo com o Ranking do Saneamento 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil, o planejamento da companhia projeta uma média anual de investimento de R$ 369 por habitante nos próximos anos, superando a média histórica estadual anterior de R$ 171 por habitante verificada entre 2017 e 2024.

Expansão da rede e inclusão social

Os dados operacionais indicam que, a partir das intervenções iniciadas em 2024, a rede de água tratada foi estendida a 2,1 milhões de pessoas, enquanto o serviço de esgotamento sanitário alcançou novos 4,3 milhões de habitantes. No encerramento do primeiro trimestre de 2026, os índices de cobertura do estado registraram 87% de acesso à água, 77% de coleta e 71% de tratamento de esgoto.

A reestruturação também impactou a política de subsídios. O número de cidadãos atendidos pela Tarifa Social Paulista — que concede descontos na conta de consumo para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico — passou de 2,98 milhões para 6 milhões de pessoas no estado. Desse total, 4,5 milhões de beneficiados estão localizados na Região Metropolitana de São Paulo. Foi instituída ainda a categoria Social II, que assegura descontos temporários de 50% para moradores de núcleos urbanos informais em processo de regularização.

O novo regramento contratual incluiu obrigatoriedades técnicas inéditas para a concessionária. Pela primeira vez, áreas rurais e comunidades vulneráveis não urbanizadas foram inseridas no cronograma de expansão, monitoradas por um censo iniciado em 2025. No perímetro urbano, o modelo regulatório implementou o Fator Q (qualidade), indicador que atrela os reajustes tarifários anuais ao desempenho da empresa na manutenção das vias públicas, avaliando formalmente o prazo e a conformidade técnica do recapeamento asfáltico após a execução de intervenções na rede de tubulações.

Foto: Governo de SP

 

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