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Anvisa aprova teplizumabe, fármaco que retarda o avanço do diabetes tipo 1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o registro do teplizumabe, comercializado sob o nome Tzield. A terapia é a primeira autorizada no país com a capacidade de alterar o curso natural do diabetes tipo 1, retardando o estágio em que o paciente se torna dependente de aplicações diárias de insulina.

O medicamento é destinado a adultos e crianças com oito anos ou mais que se encontram no estágio 2 da doença — fase em que o corpo já iniciou o ataque às células pancreáticas, mas os sintomas clínicos ainda não se manifestaram. Ao modular a ação dos linfócitos T, o teplizumabe evita que o sistema imunológico destrua as células produtoras de insulina precocemente. De acordo com dados publicados no The New England Journal of Medicine, a terapia praticamente dobrou o tempo médio para o diagnóstico clínico em comparação ao grupo de controle.

Para Melanie Rodacki, coordenadora da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a aprovação é um marco significativo. “Até agora, o tratamento era baseado apenas na reposição da insulina. Com a nova terapia, é possível intervir no processo imunológico”, afirma. Contudo, ela ressalta que o alto custo do fármaco exigirá debates sobre a viabilidade econômica e a cobertura por operadoras de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune dividida em quatro estágios. O teplizumabe foca no estágio 2, permitindo que o paciente ganhe tempo antes de entrar no estágio 3, onde surgem complicações como sede excessiva, cansaço e visão turva. A decisão da Anvisa alinha o Brasil a mercados como os Estados Unidos, onde a agência reguladora FDA já havia aprovado o uso do medicamento anteriormente.

Henrique Alves

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