O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo de Javier Milei não planeja romper relações diplomáticas com o Brasil. As declarações foram dadas em entrevista à rádio argentina Radio Mitre, no contexto do desgaste diplomático recente provocado por declarações do presidente argentino direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes do Poder Judiciário brasileiro.
Durante a manifestação, o chanceler sustentou a posição de que controvérsias políticas e eleitorais não devem ser transferidas para as instâncias institucionais que regem o relacionamento entre as duas nações.
Divergências políticas e apoio eleitoral
Ao comentar as declarações do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, que classificou as falas de Milei como prejudiciais ao povo argentino, Quirno caracterizou a manifestação brasileira como “juízos de valor”. O diplomata pontuou que os dois governos mantêm visões distintas sobre os rumos políticos e econômicos aplicados no Brasil.
O chanceler voltou a pontuar o alinhamento político entre Javier Milei e a família Bolsonaro. Quirno citou a participação do presidente argentino na convenção nacional do Partido Liberal (PL), evento em que foi oficializada a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Tramitação diplomática e embaixada
Questionado sobre a convocação do embaixador argentino pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a chamada do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Vitelli, para consultas em Brasília, Quirno reiterou a postura de neutralidade institucional do governo argentino diante do episódio.
O chanceler declarou que a Argentina mantém elevada consideração pelo trabalho do embaixador Julio Vitelli e expressou a expectativa de que o diplomata retorne em breve a Buenos Aires para dar prosseguimento aos temas da pauta bilateral entre os países.






