Inadimplência cai entre os mais pobres, impulsionada por renegociações, mas avança na faixa de maior renda.
O endividamento das famílias brasileiras registrou recuo pela primeira vez em 2026, interrompendo uma sequência de altas iniciada em dezembro passado. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic/CNC), o índice passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro. A parcela de famílias com contas em atraso também recuou, situando-se em 29,6%.
A melhora no cenário foi puxada pelas famílias de menor renda. Na faixa de até três salários mínimos, a inadimplência caiu de 38,8% para 38,5%, movimento que especialistas associam à resiliência do mercado de trabalho e a programas de renegociação, como o Desenrola. Em contrapartida, as famílias que ganham acima de 10 salários mínimos foram as únicas a registrar alta no indicador, que subiu para 15%. Segundo analistas, o dado reflete uma estratégia financeira: esses consumidores preferem parcelar compras e manter o capital rendendo na renda fixa.
Apesar dos sinais positivos, o orçamento doméstico segue sob forte pressão. O tempo médio de atraso das dívidas subiu para 65,3 dias, o maior patamar desde novembro de 2024, e quase metade das pendências já venceu há mais de 90 dias.
Atualmente, as famílias brasileiras comprometem, em média, 29,6% da renda mensal com o pagamento de passivos, o que exige cautela redobrada no uso do cartão de crédito e no parcelamento de itens de consumo imediato.
Foto: Divulgação/Internet – Marcello Casal Jr./Agência Brasil




