Os mananciais responsáveis pelo abastecimento de água no Grande ABC registraram redução no volume útil ao longo do mês de abril. O cenário interrompe uma sequência de alta observada em março e marca o início do período de estiagem, que deve se prolongar até setembro.
De acordo com dados do Painel dos Mananciais da Sabesp, o reservatório Rio Grande, que atingiu o pico de 98,1% em março, caiu para 92,3% em meados de abril. O Sistema Cantareira também apresentou retração, operando hoje com 43,3% de sua capacidade. Os sistemas Alto Tietê (53,5%) e Rio Claro (58,5%) completam o quadro, ambos classificados na “Faixa de Atenção” pela SP Águas.
Fatores Climáticos
A SP Águas associa a diminuição à transição sazonal para o outono, que resulta em menores acumulados de chuva e redução das vazões que chegam aos reservatórios. O professor Jefferson Nascimento de Oliveira, da Unesp, reforça que o calor persistente acelera a evaporação, complicando o balanço hídrico. “Continua saindo a mesma quantidade de água, mas a entrada é reduzida. A tendência é que o nível caia ainda mais”, explica o docente.
Segurança Hídrica e Transposição
Para garantir o abastecimento, a Sabesp mantém a operação de interligação entre a Represa Billings (Rio Pequeno) e o Sistema Alto Tietê (Taiaçupeba). A obra permite a transferência de até 4.000 litros por segundo, funcionando como um mecanismo de “distribuição de renda” hídrica entre mananciais com maior e menor volume.
Além das obras de infraestrutura, a Arsesp destaca a eficácia da redução de pressão nas redes, medida que economizou 151 bilhões de litros desde que foi ampliada. Contudo, o especialista da Unesp ressalta que a solução a longo prazo depende da preservação ambiental. “É fundamental o reflorestamento das áreas de recarga e a proteção das nascentes para que o solo possa filtrar e garantir a vazão dos rios mesmo sem chuvas”, conclui Oliveira.








