Nova era equipara cartéis a terroristas e inclui facções brasileiras em lista de restrições dos EUA.
O governo de Donald Trump deu início a uma nova fase na “guerra às drogas” na América Latina, caracterizada pela militarização extrema e pelo alinhamento com líderes de direita na região. A atual estratégia da Casa Branca adota uma retórica que equipara o tráfico de drogas ao terrorismo internacional, permitindo o uso de força letal pelas Forças Armadas contra organizações criminosas.
Desde o ano passado, os EUA designaram mais de 20 cartéis latino-americanos como Organizações Terroristas Estrangeiras. Apesar da oposição do governo brasileiro, as facções nacionais Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foram incluídas na lista, ao lado de grupos de países como México, Colômbia e Venezuela.
Como parte dessa ofensiva, Washington lançou o “Escudo das Américas”, uma aliança regional de segurança e compartilhamento de inteligência voltada a erradicar os cartéis. Até o momento, o Brasil não aderiu à aliança, que já conta com uma força-tarefa militar coordenada pelo Comando Sul dos EUA e ações conjuntas autorizadas em territórios como Colômbia, Equador e Honduras. Especialistas em direito internacional questionam a legalidade das operações, alertando que o tratamento militar a civis suspeitos viola normas globais.
Foto: Casa Branca/Daniel Torok




