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“Foi uma grosseria”, diz Marcos Bocatto sobre rejeição a Ancelotti na Seleção Brasileira

No Jornal do ABC, presidente do SITREFESP defende técnicos estrangeiros, critica interferência de diretores em vestiários e projeta o Brasil na final da Copa.

A edição de ontem, 10 de junho, do Jornal do ABC, comandada por Gil Latoreira, recebeu nos estúdios do Canal ABC uma das vozes mais experientes dos bastidores do futebol paulista: Marcos Bocatto, presidente do Sindicato de Treinadores de Futebol Profissional do Estado de São Paulo (SITREFESP). Com 48 anos de profissão, sendo 16 deles trabalhando no exterior, o dirigente analisou o cenário atual da categoria, a vinda de técnicos estrangeiros e o mercado de base.

Durante o bate-papo, Bocatto não poupou críticas à resistência inicial de alguns treinadores nacionais em relação à chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Amarelinha, classificando o comportamento como corporativista e indelicado:

“Eu passei da minha vida — tenho 48 anos de profissão — passei 16 fora do Brasil. […] Nunca me senti maltratado em nenhum desses outros países. […] Então assim, foi uma grosseria. O direito de ir e vir é mundial e você tem que ser respeitado. […] Qualquer cidadão do mundo pode ser japonês, português, italiano, ele tem o direito de trabalhar onde puder.”

Apesar das polêmicas, o presidente do sindicato demonstrou muito otimismo com a caminhada da Seleção no Mundial sob a batuta do comandante italiano:

“Ele tem muita competência, nós temos bons jogadores. Não dá para falar que o time do Brasil não é bom, sempre nós vamos ter bons jogadores. Nós criamos jogadores, nós somos um celeiro, uma escola. […] Eu tenho certeza que o Brasil chega na final.”

Fritura de técnicos e invasão de vestiário

O experiente gestor também refletiu sobre a enorme rotatividade no futebol brasileiro e a facilidade com que dirigentes demitem profissionais para aliviar a pressão da torcida e da política interna dos clubes. “O dirigente de clube — aquele que é institucional — ele quer tirar o problema do bolso dele. Qual que é mais fácil: ele mandar 15 jogadores embora ou mandar o treinador? Então vai o treinador, que é mais fácil”, disparou.

Bocatto ainda pontuou a importância de conciliar a vivência prática do ex-atleta com o conhecimento acadêmico nas comissões técnicas, fazendo duras críticas à interferência de diretores no ambiente sagrado dos jogadores, citando episódios recentes no Corinthians:

“O vestiário quem viveu sabe. Sabe o que um jogador não gosta. […] Tivemos agora grandes exemplos no Corinthians de diretor entrando no vestiário… O jogador não gosta disso, ali é a profissão dele, é o trabalho dele. […] Se você perdeu um jogo, é bom não entrar. Deixa os caras curtirem lá a tristeza, a raiva, deixa abaixar a poeira.”

Cursos na região do ABC

Pensando no futuro do esporte, o presidente detalhou que, logo após o término da Copa do Mundo, o SITREFESP promoverá um curso de capacitação voltado exclusivamente para profissionais das categorias de base (Sub-15, Sub-16 e Sub-17). A iniciativa atende a um pedido da Secretaria de Desporto de Rio Grande da Serra e as inscrições e informações estarão disponíveis através das redes oficiais da entidade.

Assista na íntegra: 🔗Youtube Canal ABC Oficial 

 

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