A rede hospitalar pública de São Bernardo do Campo apresentou um crescimento expressivo na prestação de serviços de saúde à população. Entre janeiro e abril de 2026, o volume consolidado de consultas, cirurgias e exames realizados nos quatro hospitais municipais e no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) cresceu 50% em comparação com o mesmo período de 2024. O total de atendimentos avançou de 615.806 para 938.354 procedimentos.
A ampliação do fluxo coincide com uma série de investimentos estruturais iniciados no início de 2025 pela atual gestão do prefeito Marcelo Lima. Entre as principais medidas adotadas estiveram a abertura do pronto-socorro do Hospital de Urgência (HU), a implementação de 22 novos leitos no Hospital da Mulher e a criação de um centro de infusão no Hospital Anchieta.
Reconhecimento nacional e competitividade
Os indicadores recentes impactaram o posicionamento institucional da cidade. Em janeiro deste ano, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) e conselhos de secretários de saúde (Conass e Conasems), incluiu o Hospital de Clínicas e o Hospital da Mulher no grupo dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil.
Além disso, o município subiu da 21ª para a 13ª colocação geral no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2025 entre as cidades com mais de 80 mil habitantes. O avanço no estudo, liderado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), foi impulsionado pela melhoria dos serviços básicos e pelo registro de índice zero de mortalidade materna no ano anterior.
Pioneirismo no SUS e o desafio financeiro
A rede de São Bernardo do Campo também passou a realizar intervenções médicas inéditas na esfera municipal do Sistema Único de Saúde (SUS). Em janeiro, o Hospital de Clínicas sediou a primeira cirurgia cerebral com o paciente acordado do município. No mês seguinte, a mesma unidade realizou, de forma pioneira na região, uma ablação por radiofrequência para o tratamento de câncer hepático, técnica considerada minimamente invasiva.
Por ser considerada um polo assistencial, a estrutura municipal atrai moradores de diversas cidades do Grande ABC e de outras regiões paulistas. O secretário municipal de Saúde, Dr. Jean Gorinchteyn, apontou que, embora a universalidade do atendimento seja um pilar do sistema, a alta demanda externa impõe pressões administrativas.
“Temos uma rede robusta, os melhores profissionais, e não negamos atendimento a ninguém. Mas também temos um grande desafio que é o de equacionar financeiramente tudo isso”, avaliou o secretário, reforçando a necessidade de equilíbrio orçamentário diante da expansão dos serviços.






