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Pesquisas x urnas: veja os desvios de oito institutos no primeiro turno e o equivalente em votos

Comparativo do Canal ABC reúne levantamentos divulgados em 3 de outubro e mostra, separadamente, as diferenças para Lula e Flávio Bolsonaro; conversão ajuda a dimensionar os resultados.

O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 terminou com Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. Mas qual foi a distância entre os percentuais divulgados pelos institutos na véspera da votação e os resultados registrados nas urnas? Um comparativo do Canal ABC mostra os desvios individuais de oito levantamentos e traduz essas diferenças em uma equivalência aproximada de votos.

Na apuração informada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 56.104.268 votos, correspondentes a 47,03% dos válidos. Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois foi de 2.227.651 votos, equivalente a 1,87 ponto percentual.

O recorte considera as pesquisas de Veritá, Gerp, Quaest, PoderData/Aya, AtlasIntel, Futura/Apex, Datafolha e CNT/MDA, registradas na compilação consultada como divulgadas em 3 de outubro, um dia antes da votação. A comparação usa os percentuais em votos válidos e analisa os candidatos separadamente, sem estabelecer uma classificação por erro médio.


O que significa o erro mostrado no comparativo

O cálculo mede a distância absoluta entre o percentual apresentado na pesquisa e o percentual obtido nas urnas. Se um instituto apontou 45% para Lula, por exemplo, a diferença para o resultado de 45,16% foi de 0,16 ponto percentual. Para Flávio, uma estimativa de 42% ficou 5,03 pontos abaixo dos 47,03% registrados na votação.

Usar a distância absoluta permite mostrar o tamanho do desvio sem misturar resultados acima e abaixo do percentual apurado. O sentido da diferença, no entanto, também é relevante para a leitura de cada levantamento.

Veritá ficou mais próximo dos dois percentuais

Entre as oito pesquisas selecionadas, o Veritá apresentou os menores desvios individuais para os dois candidatos. O instituto apontava 45% para Lula e 47% para Flávio. As diferenças foram de 0,16 e 0,03 ponto percentual, respectivamente, ambas abaixo do resultado das urnas.

Gerp e Futura também estimaram percentuais inferiores aos apurados para ambos. O Gerp indicava Lula com 44% e Flávio com 46%, enquanto a Futura apresentava 42,6% e 44,8%, respectivamente.

Já Quaest, AtlasIntel e CNT/MDA estimaram para Lula percentuais superiores aos registrados na votação e, para Flávio, inferiores. PoderData e Datafolha ficaram abaixo dos resultados dos dois candidatos.

Os maiores desvios foram diferentes para cada candidato

Para Lula, o maior desvio nesse recorte foi o da CNT/MDA. A pesquisa indicava 47,8%, percentual 2,64 pontos acima dos 45,16% apurados. Para Flávio, o maior afastamento foi o do Datafolha: os 42% estimados ficaram 5,03 pontos abaixo dos 47,03% das urnas.

A CNT/MDA apontava Flávio com 42,1%, diferença de 4,93 pontos para menos. A AtlasIntel estimava Lula com 47% e Flávio com 44,1%, desvios de 1,84 ponto para mais e 2,93 para menos. Na Quaest, os percentuais de 46% e 45% representaram diferenças de 0,84 ponto acima para Lula e 2,03 abaixo para Flávio.

Quanto essas diferenças representam em votos?

Para dimensionar os desvios, o Canal ABC adotou uma base arredondada de aproximadamente 119,3 milhões de votos válidos. Nessa escala, cada ponto percentual corresponde a cerca de 1,193 milhão de votos.

Assim, a diferença de 0,16 ponto equivale a aproximadamente 191 mil votos. O desvio de 0,03 ponto representa cerca de 36 mil. No outro extremo, os 5,03 pontos de diferença do Datafolha para Flávio equivalem a aproximadamente 6 milhões de votos. Para Lula, os 2,64 pontos da CNT/MDA correspondem a cerca de 3,15 milhões.

Equivalência aproximada dos desvios em votos

Esses valores são conversões matemáticas dos desvios percentuais, arredondadas ao milhar. Não representam votos perdidos, transferidos ou contabilizados de forma incorreta. Também não devem ser somados entre candidatos ou institutos: cada valor expressa uma comparação independente, calculada a partir de percentuais já arredondados.

Diferença para as urnas não é margem de erro

O desvio observado depois da eleição é diferente da margem de erro informada por uma pesquisa. A margem descreve a incerteza estatística da estimativa, nas condições do levantamento. Já o comparativo mostra a distância entre o número publicado e o resultado da votação posterior.

Embora todas as pesquisas selecionadas tenham divulgação atribuída ao dia 3 de outubro, os períodos de entrevistas, as amostras e as formas de coleta variam. A proximidade com as urnas, isoladamente, não permite concluir a causa de um desvio nem avaliar toda a qualidade metodológica de um instituto.

Nota metodológica: recorte de oito levantamentos em votos válidos; erros absolutos calculados sobre os percentuais divulgados; conversão em votos com base aproximada de 119,3 milhões e arredondamento ao milhar. A seleção não pretende reunir todas as pesquisas publicadas na véspera.

 

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