O Brasil entrou em campo ontem (26) contra a França, no penúltimo amistoso antes da convocação final para a Copa do Mundo, e perdeu por 2 a 1, mesmo com um jogador a mais desde os 10 minutos do primeiro tempo. A Seleção apresentou problemas com o esquema de quatro jogadores de frente e desentrosamento na linha defensiva.
Formação nova
Carlo Ancelotti escalou a equipe com apenas dois meio-campistas e quatro atacantes. Casemiro e Andrey Santos eram responsáveis pela contenção e ligação defesa-ataque, enquanto Vini Jr., Raphinha, Matheus Cunha e Gabriel Martinelli comandavam o setor ofensivo; Cunha e Martinelli atuaram mais soltos, enquanto Vini e Raphinha atacavam pelas beiradas.
No primeiro tempo, a Seleção teve apenas 35% da posse de bola, contra 65% dos franceses, fazendo com que o capitão Casemiro abusasse de bolas longas para Vini e Raphinha. O Brasil dependeu de contra-ataques que até assustaram a defesa francesa, mas um festival de decisões erradas fez com que a equipe não conseguisse bons ângulos para finalizar. Na segunda etapa, o Brasil já perdia por 1 a 0 e voltou melhor, com mais posse e pressão; porém, foi mais na base do “abafa” do que algo construído. A expulsão de Upamecano intensificou essa pressão até o final.

Desentrosamento
A linha de defesa foi formada por Wesley na lateral direita, Léo Pereira e Bremer na zaga, e Douglas Santos na lateral esquerda. Ambos os laterais não fizeram uma grande partida. Os franceses empurraram a linha defensiva para trás e houve poucas ultrapassagens para auxiliar os pontas. Isso mudou na segunda metade do jogo — exemplo disso foi a jogada da expulsão do zagueiro francês após falta em Wesley.
Na zaga, Léo Pereira estreou pela Seleção logo contra um dos melhores ataques do mundo. O zagueiro rubro-negro sofreu com Kylian Mbappé; o astro do Real Madrid não deu sossego ao sistema defensivo brasileiro. A falta de entrosamento fez com que Léo Pereira, Andrey e Casemiro errassem a saída de bola no lance que originou o primeiro gol do “Tartaruga”. Já Bremer, da Juventus, parecia mais à vontade. Com outras passagens pela Amarelinha no currículo, o zagueiro fez boa partida, especialmente no segundo tempo, anotando o único gol brasileiro.
O segundo gol da França veio quando o Brasil já tinha um homem a mais e escancarou a falta de entrosamento. A equipe de Ancelotti foi para cima, perdeu a bola no ataque e, com oito jogadores no campo ofensivo, sofreu um contra-ataque letal. Com a defesa desorganizada, acabou sofrendo o segundo gol, marcado por Ekitiké.

Vini Jr. precisa aparecer
Se o Brasil tem qualquer esperança de colocar a sexta estrela no peito, ela passa pelos pés e pelo poder de decisão de Vinicius Júnior. O ponta usou pela primeira vez a histórica camisa 10, mas não fez jus à mística que o número carrega. Vini errou praticamente tudo o que tentou, tomando decisões equivocadas e perdendo, na pequena área, o que seria o gol de empate. O Vini que brilha com a 7 madrilenha precisa aparecer com a camisa amarela (ou azul) para que possamos sonhar com o hexa nos Estados Unidos.

Problemas para “Carleto”
Raphinha foi substituído ainda no intervalo com dores na coxa e dificilmente estará à disposição contra a Croácia na próxima terça-feira (31). Ele deve ser preservado para evitar riscos de agravar a lesão, também pensando no retorno ao Barcelona, que enfrenta o Atlético de Madrid pelas quartas de final da UEFA Champions League. Raphinha será reavaliado nesta sexta-feira, em Orlando. O Brasil já está de volta à Flórida se preparando para o confronto contra os croatas.

Uma derrota que pode vir para o bem
Amistosos preparatórios servem para isso: às vezes, perder tem seu lado positivo. Carlo Ancelotti certamente olhará para essa partida com foco na correção de erros e identificação de pontos positivos. Às vésperas do Mundial, falhas agora — especialmente contra uma seleção mais pronta — podem ser benéficas, já que há tempo hábil para aprimorar o esquema 4-2-4 e testar atletas antes da definição dos 26 convocados que buscarão o hexacampeonato.








