Mauro Roberto Chekin classificou a inclusão no esporte como um “problema” e afirmou não ter preparo para atuar com pessoas com deficiência
O secretário de Esportes, Lazer e Juventude de São Caetano do Sul, Mauro Roberto Chekin, pediu exoneração do cargo na sexta-feira (8). A decisão ocorreu após a repercussão negativa de suas declarações em audiência pública na Câmara Municipal, onde chamou a inclusão de pessoas com deficiência (PcD) de “problema” e afirmou que “não consegue” trabalhar com esse público.
Em nota oficial, Chekin reconheceu o “erro de abordagem” e pediu desculpas, comprometendo-se a buscar aperfeiçoamento profissional na área.
Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou inquérito civil para apurar eventual prática de discriminação, capacitismo institucional e omissão de políticas públicas. A denúncia foi protocolada por parlamentares do PSOL, incluindo a deputada federal Sâmia Bomfim e a vereadora Bruna Biondi.

Foto: Câmara dos Deputados – Dep. Federal Sâmia Bomfim (PSOL SP)
Durante a sessão que gerou a crise, Chekin relatou episódios em que se sentiu incapaz de lidar com alunos autistas ou com deficiência física, alegando que sua “condição psicológica é muito frágil para esse tipo de coisa”. Ele chegou a afirmar que, embora a inclusão seja um dever do Estado, não seria um dever dele enquanto “pessoa física”.

Foto: Sind. Jornalista – Vereadora Bruna Biondi (PSOL São Caetano)
As falas foram duramente repudiadas pelo Ministério do Esporte e pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, que as classificaram como “inadmissíveis” e “profundamente capacitistas”.
A Prefeitura de São Caetano, embora tenha aceitado o pedido de demissão, destacou seu “compromisso histórico” com a pauta inclusiva e citou investimentos recentes no setor para mitigar o impacto do episódio.
Foto Capa: Carta Capital



