Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que facções ditam regras de convivência para 68,7 milhões de pessoas
A presença do crime organizado no Brasil deixou de ser um fenômeno restrito às grandes metrópoles. Segundo o relatório “Medo do crime e eleições 2026”, divulgado neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam que grupos como facções e milícias atuam no bairro onde moram.
O dado equivale a cerca de 68,7 milhões de pessoas convivendo sob o domínio territorial dessas organizações.
Embora a percepção seja maior nas capitais (55,9%), o fenômeno capilarizou-se pelo país: 34,1% dos moradores do interior já identificam a atuação criminosa em sua vizinhança. Segundo o estudo, grupos como PCC e Comando Vermelho transformaram cidades menores em entrepostos logísticos e espaços de disputa armada.
Para a maioria dos entrevistados, a influência do crime é direta: 61,4% afirmam que as organizações interferem moderada ou intensamente nas regras de convivência local. A diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, define o cenário como “governança criminal”, um duopólio de violência em que o crime se impõe como regulador do cotidiano ao lado do Estado.
Essa disciplina social pautada no medo altera hábitos básicos: 81% dos cidadãos temem confrontos armados, 74,9% evitam certos locais e 64,4% têm medo de represálias caso denunciem crimes. Além disso, a presença de facções eleva a vitimização.
Em bairros dominados, o índice de pessoas que sofreram algum crime sobe para 51,1% (11 pontos acima da média nacional), com aumento significativo em roubos à mão armada e golpes digitais.
Foto: Divulgação.







