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Lula critica taxa de Trump no Estreito de Ormuz e defende mais mulheres na engenharia

Durante agenda no Instituto Mauá de Tecnologia, presidente cobrou igualdade no acesso à universidade, defendeu o aumento do biodiesel contra a crise internacional de combustíveis e chamou taxa americana de 'pirataria'.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz. Em visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, o petista afirmou que esse tipo de medida era chamada de “pirataria” no passado. Na mesma agenda, o presidente, que é pré-candidato à reeleição, aproveitou para defender a formação de mais profissionais de exatas e fez um aceno direto ao eleitorado feminino.

Em seu discurso, Lula destacou a necessidade de o Brasil formar “mais engenheiros e engenheiras” para tocar os projetos de desenvolvimento do país. Ele ressaltou a mudança no perfil das universidades ao afirmar que “hoje a mulher estuda o que ela quiser”.

Para o presidente, oferecer condições de igualdade para todos que desejam disputar uma vaga no ensino superior deve ser uma “obrigatoriedade do Estado”. “Temos que partir do pressuposto de que ninguém é melhor do que ninguém e que dinheiro não faz inteligência”, declarou o petista, defendendo que a origem financeira não pode ditar a capacidade profissional dos jovens.

As declarações internacionais ocorreram logo após Trump publicar em sua rede social que os Estados Unidos vão cobrar a taxa no Oriente Médio imediatamente, sob a justificativa de proteger a hidrovia por onde passa 20% do petróleo do mundo. Para Lula, a postura do governo americano encarece o combustível global e gera inflação no preço dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, como o feijão e o arroz. A tensão coincide com a reta final de negociações comerciais, já que a Casa Branca tem até quarta-feira (15) para decidir se aplicará novas tarifas de até 25% sobre os produtos exportados pelo Brasil.

Alta do diesel no Grande ABC e a saída pelo biodiesel

Os impactos do cenário internacional já são sentidos nos postos da região. Em apenas seis meses, o preço médio de revenda do óleo diesel no Grande ABC saltou de R$ 6,06, na primeira semana de janeiro, para R$ 6,86 no começo de julho. Essa escalada tem pressionado o caixa das empresas de transporte e o comércio local.

Como tentativa de conter os reajustes, o governo federal decidiu manter por até 60 dias uma alíquota de 12% de imposto sobre a exportação de petróleo bruto. O objetivo é usar a arrecadação para conter os preços internos. “Tomamos a decisão de criar esse imposto para subsidiar os brasileiros, para que o preço do feijão não suba por causa da guerra do senhor Trump”, explicou o presidente.

A escolha do Instituto Mauá de Tecnologia para sediar o evento se deve ao fato de a universidade ter sido integrada a um grupo de estudos do governo federal. Os pesquisadores da instituição avaliam se é viável aumentar a mistura de biodiesel (feito de fontes vegetais ou gordura animal) ao diesel comum dos atuais 15% para até 25%. Lula elogiou os cientistas da Mauá e destacou que o espaço é fundamental para que os jovens transformem teses acadêmicas em produtos sofisticados, preparando o Brasil para um futuro sem dependência de combustíveis fósseis.

 

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