Com desemprego em baixa e mercado aquecido, profissionais deixam empregos antigos em busca de melhores condições de trabalho e qualidade de vida
Os pedidos de demissão voluntária atingiram o maior patamar histórico no Brasil, totalizando 9,2 milhões de desligamentos. O montante equivale a 36% do total de rescisões registradas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O setor do comércio, especialmente o segmento de vendas, concentrou o maior volume de trabalhadores que decidiram deixar seus postos.
Economistas apontam que o movimento reflete o atual cenário econômico do país, que registra a menor taxa de desemprego. A grande oferta de vagas dá ao trabalhador maior poder de escolha para buscar oportunidades mais vantajosas. De acordo com Janaína Feijó, economista da FGV Ibre, o aquecimento do mercado força as empresas a expandirem contratações e criarem estratégias para reter a mão de obra.
A rotatividade se concentra majoritariamente entre jovens de 18 a 29 anos, que respondem por quase metade dos pedidos. Essa faixa etária, que geralmente possui o ensino médio completo, assume riscos menores ao migrar de empresa por estar em início de carreira. A busca por novos rumos profissionais muitas vezes ocorre para o desempenho da mesma função, mas com atrativos que vão além do salário.
A mudança prioriza a conquista de benefícios práticos e rotinas menos exaustivas. A proximidade da residência e o ganho de tempo livre pesam mais na decisão do que a disputa por cargos mais altos. O fenômeno é mais expressivo em ocupações de entrada e de menores faixas salariais, nas quais o profissional encontra maior mobilidade no mercado.








