O Ministério da Fazenda suspendeu o cronograma de retirada do subsídio financeiro concedido à gasolina produzida e importada no Brasil. O anúncio da extinção ou redução do benefício de R$ 0,44 por litro estava programado para esta semana, mas foi postergado em decorrência dos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em pronunciamento nesta quinta-feira (9).
A mudança de diretriz ocorre após o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) deflagrar uma nova onda de ataques aéreos contra posições estratégicas na costa do Irã na última quarta-feira (8). O conflito impactou diretamente o fluxo comercial no Estreito de Ormuz, rota vital para a distribuição global de óleo bruto, gerando uma alta imediata superior a 5% na cotação do barril de petróleo.
“Esta semana eu ia anunciar a retirada do subsídio da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com o impacto diferente do que eu estava prevendo”, explicou Durigan, em entrevista à Rádio Gaúcha.
Histórico das medidas de contenção
O subsídio emergencial à gasolina foi implementado em maio deste ano, integrado a um pacote macroeconômico formulado para mitigar os impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio sobre o mercado consumidor interno. A vigência original da subvenção era de 60 dias.
A estrutura de intervenção desenhada pelo governo federal em abril incluiu as seguintes frentes regulatórias:
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Subvenção econômica direta ao óleo diesel (nacional e importado);
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Isenção temporária de tributos federais incidentes sobre o biodiesel;
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Subvenção ao gás de cozinha (GLP);
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Subvenção ao querosene de aviação (QAV) e abertura de linhas de crédito assistidas para empresas aéreas.
Dentro do cronograma original da equipe econômica, o subsídio voltado ao óleo diesel foi integralmente removido em 1º de julho. A extensão do mesmo procedimento à gasolina dependia da estabilização dos preços de paridade de importação, cenário que se desfez com a intensificação dos exercícios militares na região do Golfo Pérsico.
Impacto militar e mercado financeiro
De acordo com relatórios oficiais emitidos pelas forças de segurança americanas, a nova incursão militar atingiu aproximadamente 90 alvos estratégicos do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica, incluindo depósitos de mísseis, plataformas de monitoramento litorâneo e infraestruturas logísticas navais. O ataque somou-se a uma operação anterior efetuada na terça-feira (7), quando outras 80 instalações e pequenas embarcações foram danificadas.
A persistência do bloqueio operacional e o risco à navegação civil forçaram o Ministério da Fazenda a reter os incentivos para evitar um repasse imediato de custos ao consumidor final e reajustes em cadeia nas refinarias nacionais. Uma nova junta técnica da pasta se reunirá nos próximos dias para monitorar as flutuações das commodities e deliberar se a retirada do subsídio na próxima semana ocorrerá de forma gradual ou integral.







