O estado de São Paulo registrou uma redução nos índices de feminicídio durante o mês de maio de 2026, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. De acordo com as estatísticas oficiais divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), o número absoluto de ocorrências recuou de 26 para 18 casos no território estadual.
A diminuição foi identificada em diferentes regiões administrativas. Na capital paulista e na Região Metropolitana de São Paulo, o consolidado de crimes passou de 11 para nove registros. Já nos municípios do interior do estado, a variação apresentou uma margem mais expressiva, caindo de 15 para nove ocorrências.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de São Paulo, delegada Cristiane Braga, associou o comportamento dos dados às iniciativas de fortalecimento dos canais oficiais de acolhimento. “O feminicídio normalmente é o último estágio de uma sequência de violências. Se não há denúncia, não temos como saber que há um problema ali”, ponderou a delegada, reforçando a necessidade do registro preventivo.
Desafio no acumulado e variações regionais
Apesar da retração pontual no mês de maio, o balanço dos cinco primeiros meses do ano demonstra que o controle deste indicador permanece como um desafio estrutural para as forças policiais. Entre janeiro e maio, São Paulo acumulou 124 casos de feminicídio, representando um aumento em relação aos 107 registrados no mesmo intervalo de 2025.
O avanço no indicador anual foi impulsionado pelo interior paulista, que contabilizou 85 mortes nos primeiros cinco meses do ano. Em contrapartida, a cidade de São Paulo reduziu seus índices no acumulado do período, passando de 29 para 21 casos, enquanto a Região Metropolitana manteve estabilidade com leve oscilação de 19 para 18 ocorrências.
Ampliação das ferramentas de fiscalização e suporte
Para conter os índices de violência doméstica e familiar, o governo estadual vem implementando uma série de atualizações na estrutura de segurança pública. Atualmente, o estado conta com 144 unidades físicas da Delegacia de Defesa da Mulher, além do atendimento digital unificado pela DDM Online.
Dentre as novas ferramentas integradas à rotina das corporações, destacam-se:
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Aplicativo SP Mulher Segura: Plataforma digital que unifica o registro de ocorrências, o acionamento emergencial da Polícia Militar e o botão de pânico.
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Cabine Lilás: Canal interno instalado no Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) que direciona chamadas do telefone 190 para policiais femininas especializadas.
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Patrulha SP Mulher Segura: Nova modalidade de policiamento ostensivo e preventivo da Polícia Militar voltada exclusivamente para o atendimento de chamados de violência de gênero e fiscalização de medidas protetivas.
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Monitoramento Eletrônico: Expansão de convênio com o Tribunal de Justiça que disponibiliza 1.250 equipamentos, incluindo tornozeleiras eletrônicas, para o acompanhamento permanente de agressores.
As autoridades de segurança pública ressaltaram, por fim, que a subnotificação ainda é o principal obstáculo para a atuação dos órgãos de proteção, reiterando a orientação para que testemunhas e vítimas busquem os canais de denúncia antes do agravamento dos conflitos.






