A atuação em cenários de desastres provocados por abalos sísmicos exige coordenação técnica rigorosa e planejamento estratégico de alta complexidade. É com base nessas premissas que mais de 30 integrantes do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo e da Defesa Civil estadual encontram-se mobilizados na Venezuela, auxiliando diretamente nos trabalhos de busca e salvamento após o forte terremoto que atingiu o país vizinho.
O grupo paulista foi deslocado para a região central do estado venezuelano de Aragua, concentrando os esforços operacionais nos municípios de Maracay e Turmero. O perímetro monitorado apresenta elevado grau de destruição, caracterizado por edificações parcial ou totalmente colapsadas, infraestrutura urbana danificada e vias públicas obstruídas por toneladas de escombros.
Padronização internacional e fases de busca
De acordo com a capitão Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, todas as incursões em solo venezuelano seguem de forma estrita as diretrizes da International Search and Rescue Advisory Group (INSARAG), uma organização de referência global sob a chancela da Organização das Nações Unidas (ONU). A metodologia estabelece padrões universais para a classificação de estruturas, avaliação de riscos e coordenação de equipes multilaterais.
Atualmente, os socorristas paulistas cumprem os protocolos conhecidos como ASR 2 (Avaliação de Setor) e ASR 3 (Busca e Resgate Rápido). Na prática, a primeira frente realiza um mapeamento rápido e técnico do quadrante para medir os riscos de novos desabamentos secundários. Na sequência, as equipes entram nas estruturas acessíveis para extrair feridos e sinalizar locais complexos que demandarão ferramentas de corte e engenharia pesada.
Para otimizar o tempo de resposta, o Corpo de Bombeiros utiliza cães farejadores de resgate. Os animais atuam na varredura superficial e profunda dos escombros, indicando pontos exatos com alta probabilidade de sobreviventes presos nas chamadas “bolsas de ar”.
Autossuficiência em cenários de crise
O envio da ajuda humanitária foi dividido em duas etapas: o primeiro grupo, composto por 11 bombeiros, dois médicos militares e um agente da Defesa Civil, embarcou no dia 26. A segunda equipe, com mais 17 integrantes, juntou-se ao grupo no dia 28.
Um dos pilares da operação paulista na Venezuela é a independência logística. A major Daniela Santos Oliveira, líder da missão em Aragua, explicou que a tropa foi projetada para não gerar demandas adicionais ao governo local ou à população afetada pelo sismo.
“Quando chegamos para ajudar alguém, não podemos dar trabalho para quem já está enfrentando uma tragédia, então montamos nossa própria base, com os nossos alimentos e equipamentos. A autossuficiência é a palavra-chave dessa missão”, ressaltou a major Daniela.







