O Brasil está fora da Copa do Mundo de 2026, e o sonho do hexa terá de ser adiado por mais quatro anos. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, na fase de oitavas de final, representa uma queda precoce e a pior campanha da Seleção em 36 anos, desde a Copa de 1990, na Itália, quando o Brasil perdeu na mesma fase para a rival Argentina. Com a eliminação, essa também será a maior seca sem um título mundial, que chegará a 28 anos, o tempo entre 2002, ano do penta, e a Copa de 2030.
A sexta eliminação consecutiva trouxe um ensinamento que pode ser valioso para Carlo Ancelotti, que seguirá no comando e teve seu contrato renovado antes mesmo do Mundial de 2026: os craques punem a passividade e a falta de competitividade.
A estratégia era clara: deixar a bola com os noruegueses e aproveitar os espaços em contra-ataques. No primeiro tempo até funcionou; o Brasil criou chances para abrir 1 ou 2 a zero, mas não fez. No segundo tempo, o jogo foi outro, e o time de Ancelotti não soube se adaptar e competir. E, quando não compete, aberrações e craques como Erling Haaland não aceitam desaforo e punem em uma ou duas chances que têm.

Vem aí o ciclo mais importante dos últimos anos
Esses próximos quatro anos vão representar um dos ciclos de Copa mais importantes de nossa história. É a saída de uma geração que carrega muitos fracassos ao longo dos últimos 16 anos, vexames e uma falta de identidade do povo para com sua Seleção. Infelizmente, excelentes jogadores como Casemiro, Neymar, Marquinhos, entre outros, serão lembrados por suas trajetórias na Seleção sem muitas saudades e com mais marcas negativas do que positivas. Por isso, um dos objetivos deste ciclo é a renovação e a mudança para novas figuras, novos líderes e novas referências.

Além da troca de geração, é preciso que os atletas que permanecerem deem um passo a mais na direção do protagonismo. Vini Jr. fez sua melhor competição pela Seleção desde que estreou e tentou se impor como o cara do time, mas ainda é preciso mais. É preciso querer estar no holofote, querer ser egoísta e bater o pênalti na eliminatória. Vini terá 29 anos no próximo Mundial e terá que liderar tecnicamente uma geração promissora de Endrick, Rayan, entre outros.

Carlo Ancelotti tem apenas um ano no comando da equipe e, para muitos, o trabalho não é bom. Essa falta de competição no jogo que culminou na eliminação brasileira levanta mais dúvidas do que certezas. Obviamente ninguém duvida da capacidade de “Carleto”, um dos mais vitoriosos da história do esporte, mas a escolha por ter a bola em apenas 35% do tempo contra uma seleção inferior ao Brasil tem que ser questionada.

Particularmente, eu não esperava um título neste Mundial por tudo o que foi o ciclo, a bagunça com os treinadores, etc. Mas projeto a próxima Copa com novas esperanças, um melhor trabalho, uma renovação de time e, espero, de identidade. Que a CBF encontre uma forma de criar uma sinergia entre jogadores e torcida, que ajude a colocar a Seleção de volta nos trilhos de almejar um título de Copa do Mundo, não apenas pela mística, camisa e pelas cinco estrelas, mas sim por um trabalho feito com a qualidade e seriedade que essa camisa merece. Para que, aí sim, a mística seja um fator extra, e não o principal, para costurar a sexta estrela na camisa.
Da Redação.







