Lideranças de relevância do setor de transporte rodoviário de cargas se reuniram, quinta-feira (2), com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em Brasília. A pauta do encontro foi debater os potenciais impactos e desdobramentos de propostas voltadas à redução da jornada de trabalho sobre o segmento logístico nacional. Participaram da reunião o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, e o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno.
Durante a audiência, as lideranças defenderam a possibilidade de o transporte rodoviário de cargas ser excluído de uma eventual nova regulamentação de caráter geral sobre jornada laboral. O objetivo das federações é preservar as diretrizes específicas que já norteiam a categoria, permitindo que adequações de escala de trabalho continuem sob a chancela de convenções coletivas negociadas diretamente entre empregadores e trabalhadores.

Especificidades e segurança nas rodovias
O pleito apresentado a Marinho unifica diferentes frentes do transporte, cobrindo desde condutores autônomos até frotistas especializados, como o setor cegonheiro. Os dirigentes sindicais argumentaram que o segmento rodoviário possui características operacionais complexas que demandam normas exclusivas — como as que já regulam o tempo máximo de direção ininterrupta, os períodos obrigatórios de parada para repouso e o descanso interjornada.
De acordo com as entidades, essas regras já vigentes foram estruturadas após anos de debates técnicos para alinhar as metas de produtividade da cadeia com a segurança de motoristas e usuários nas estradas federais e estaduais.
Para o presidente do Sinaceg, a manutenção do formato atual de governança trabalhista significa salvaguardar o fluxo de um setor vital para a economia interna.
“Não buscamos um tratamento privilegiado, mas o reconhecimento de que nossa atividade possui características próprias, disciplinadas por uma legislação construída ao longo dos anos. O diálogo com o ministro foi muito positivo e reforçou a importância de que qualquer aperfeiçoamento seja construído por meio da negociação coletiva, respeitando a realidade de cada segmento e garantindo previsibilidade para trabalhadores, transportadores e toda a cadeia logística”, ressaltou Boizinho.
O Ministério do Trabalho deve continuar ouvindo representantes de outros setores produtivos antes de consolidar seu posicionamento técnico sobre a flexibilização ou alteração de jornadas de trabalho no país.








